JORNAL DO

Jahu, janeiro de 2026
Almanaque vem do árabe "al-manakh", que significa “o lugar onde o camelo se ajoelha ou onde se apeia do camelo ou do cavalo para conversar e trocar informações”. Esta página é um espaço para assuntos vários: comunidade, atualidades, resumos sobre ciências, meio ambiente, história, música, literatura, artes plásticas e gráficas.
O CANTOR, COMPOSITOR, MÉDICO E DEFENSOR DOS COMPOSITORES
ALBERTO RIBEIRO DA VINHA

O compossitor e cantor Alberto Ribeiro da Vinha nasceu no bairro da Cidade Nova , RJ, em 1902 e foi criado no Estácio, área considerada como berço do samba. Começou a fazer o curso de Engenharia, mas não chegou a concluir, optando pelo curso de Medicina. Casou-se em 1926, e teve um filho. Em 1931, formou-se em Medicina com especialização em Homeopatia.
Foi um grande amigo e parceiro do compositor Braguinha ( João de Barro) . Compôs com essa parceria algumas da mais famosas marchas carnavalescas e juninas do Brasil e também inúmeras canções com outros parceiros. Dedicou grande parte da vida aos direitos dos compositores, tendo sido um dos fundadores da ABCA (Associação Brasileira de Compositores e Autores), Da ABCA nasceu posteriormente a UBC (União Brasileira dos Compositores), da qual foi presidente por 10 anos.
Durante a ditadura Vargas, Alberto Ribeiro foi preso várias vezes, por causa das composições de caráter político que fazia. Exerceu a Medicina de forma humanitária, abnegada e generosa, atendendo a todos por preços simbólicos. Aposentou-se na Medicina, em 1959, em função de problemas cardíacos.
Gravou depoimento ao MIS, Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro, pouco tempo antes de morrer em 1971.

Na década de 1930, Alberto frequentava o Café Nice onde conheceu alguns dos maiores compositores de música popular da época. Deixou inúmeras composições, entre elas sucessos como Chiquita Bacana e Touradas em Madrid, ambas com seu grande amigo João de Barro. Foi também parceiro de Nássara, Alcyr Pires Vermelho, Antônio Almeida, Radamés Gnattali, José Maria de Abreu entre outros.
Começou a compor para o carnaval, principalmente para o bloco carnavalesco “Só de Tanga”, do qual participava.
Em 1923, teve sua primeira composição editada, “Água de coco”. e organizou um conjunto chamado “Grupo dos Enfezados”.
Em 1931, ingressou na Odeon e gravou a embolada “A lua já vem saindo”, de Sátiro de Melo e a canção “Minha casa”, de sua autoria, primeira composição sua gravada, ambas com acompanhamento do Grupo dos Enfezados. Em 1932, foi levado para a Columbia pelo amigo e cineasta Moacir Fenelon. Nesse ano, gravou em dueto com Luciano Perrone a rumba “O vendedor de pipoca”, de sua autoria e Bonfíglio de Oliveira. Em 1933, gravou a marcha “As brabuletas”, de sua autoria. Nesse ano, fez com Júlio de Oliveira o fox-trot “Um sorriso…uma lágrima…” gravado pelos Irmãos Tapajós na Victor..
Em 1934, alcançou sucesso com a marcha “Tipo sete”, em parceria com Nássara, gravada por Francisco Alves na Odeon, e que se referia a um tipo de café muito em voga na época, produto de exportação essencial do Brasil. Com essa música venceram o concurso de carnaval da prefeitura naquele ano.

Ainda nesse ano, Francisco Alves gravou a marcha “Dois amores”, também com Nássara e Aurora Miranda as marchas “Avião do amor”, com André Filho e “Vai subindo… vem caindo…”,
. Em 1935, foi apresentado a Braguinha pelo editor Mangione, que os convidou para fazer a trilha sonora do filme “Alô, alô Brasil!”, de Wallace Downey. Nasceu então a famosa parceria, que logo depois produziu a primeira obra, “Deixa a lua sossegada”, marchinha gravada por Almirante na RCA Victor. Nesse ano, Carmen Miranda gravou a marcha “Sonho de papel”, que fez parte da trilha sonora do filme “Estudantes”, de Wallace Downey, para o qual fez o roteiro com João de Barro, Barbosa Júnior gravou a marcha “Mulher vampiro”, com Alcyr Pires Vermelho e Mário Reis as marchas “Fra Diavolo no carnaval”, com João de Barro e Carlos Martinez e “Cadê Mimi”, com João de Barro, todas na Odeon, esta última um grande sucesso, até hoje cantada. No carnaval de 1936, Dircinha Batista gravou duas composições de sua parceria com João de Barro, o Braguinha: as marchas “Muito riso, pouco siso” e “Pirata”, esta considerada o primeiro sucesso da jovem Dircinha, que a apresentava no filme “Alô, alô, carnaval”.
Em 1941, teve a valsa “Tin-do-lê-lê”, com Antônio Almeida gravada pelos Anjos do Inferno; a marcha “Não te cases Beatriz”, com Antônio Almeida e Arlindo Marques Junior, por Beatriz Costa e Leo Vilar e o choro “Acabou-se o que era doce”, com Antônio Almeida, gravado por Leo Vilar, todos na Columbia. Nesse ano, Vassourinha gravou na Colúmbia o choro “Seu Libório”, composto com Braguinha cinco anos antes e que se tornaria um clássico futuro.
Em 1942, seus sambas “O sorriso do presidente” e “Maria o céu” e a “Valsa do balancê”, com Alcyr Pires Vermelho, foram gravados por Deo na Columbia. Nesse ano, a marcha “Adolfito Mata-Mouros”, parceria com João de Barro, uma sátira ao ditador alemão Adolf Hitler foi gravada por Orlando Silva.
Em 1949, outro sucesso, com a marchinha existencialista “Chiquita bacana”, também em dupla com Braguinha, gravada por Emilinha Borba na Continental. Essa música recebeu versões no estrangeiro, inclusive na França, pela cantora Josephine Baker com o título “Chiquita Madame de la Martinique”.


Em 1957, fez o fox “Amor verdadeiro”, uma versão para música de Cole Porter gravado por Cauby Peixoto na RCA Victor. Foi também autor de alguns dos grandes sucessos de São João: “O balão vai subindo” e “Capelinha de melão”, além de “Noites de junho”. Em 1959, Jamelão gravou o samba “Esquina da saudade”, com Radamés Gnattali e Chiquinho. Em 1960, gravou na Todamérica os sambas “Enfim, sós” e “Não levam meu samba”, ambos de sua autoria. Em 1967, Caetano Veloso, no auge do Movimento Tropicalista, recriou a marcha “Yes! Nós temos bananas”. Nesse ano, Alberto gravou depoimento no Museu da Imagem e do Som. Em 1980, Gal Costa regravou com sucesso a marcha “Balancê”, com João de Barro.

Em 2002, foi homenageado pelo MIS - Museu da Imagem e do Som - por ocasião do centenário de seu nascimento com a audição de sua entrevista ao MIS e do LP com suas músicas políticas, além da projeção do filme “Alô, alô carnaval” e de uma palestra com o crítico e jornalista R. C. Albin.
Houve ainda um show com as cantoras Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas, Violeta Cavalcanti e Ellen de Lima, que interpretaram os grandes sucessos do compositor, para um grande público, concentrado em frente ao Museu.
Fontes: https://dicionariompb.com.br/artista/alberto-ribeiro/

