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      Almanaque vem do árabe "al-manakh", que significa “o lugar onde o camelo se ajoelha ou onde se apeia do camelo ou do cavalo para conversar e trocar informações”. Esta página é um espaço para assuntos vários: comunidade,  atualidades,  resumos sobre ciências, meio ambiente, história, música, literatura,  artes plásticas e gráficas.

O MÉDICO,  MÚSICO, COMPOSITOR E CRONISTA

ALDIR BLANC

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      O letristacompositorcronista e médico carioca Aldir Blanc Mendes, nasceu em  1946  e morreu em  2020. Abandonou a medicina para tornar-se compositor, sendo considerado um dos grandes letristas da música brasileira

    Aldir era filho único e um grande amigo de seu pai – embora este fosse um homem sério, de poucas palavras. Como a mãe vivia constantemente doente, teve no avô materno, o português Antônio Aguiar, a presença mais afetuosa em sua infância. O avô praticamente o criou em Vila Isabel, bairro onde estariam tipos e cenários fundamentais para os textos e as letras do futuro letrista e cronista. 

     Aos 11 anos, seus avós foram morar no Estácio. Com o passar dos anos, o contato com os malandros da área aumentou, levando os avós a persuadi-lo a morar com um primo um pouco mais velho, na Tijuca, que o levou a conhecer bailes, noitadas boêmias, mulheres, futebol, a quadra da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro (que se tornaria a escola do coração de Aldir Blanc) e os blocos de Carnaval.

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    Aldir Blanc deu seus primeiros passos na música na década de 1960, quando começou a compor. Aos 16 anos aprendeu a tocar bateria e aos 17 fundou o grupo Rio Bossa Trio, que com a entrada do músico Sílvio da Silva seria rebatizado para GB-4. 

    Com o novo integrante, Blanc firmou sua primeira parceria musical. Uma dessas parcerias, "A noite, a maré e o amor", competiu no III Festival Internacional da Canção em 1968.

    Aluno exemplar em biologia, em 1965 Aldir Blanc ingressou na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, de onde saiu em 1971 com especialização em psiquiatria. Fez residência dentro do Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Gustavo Riedel, em Engenho de Dentro, mas como repudiava a rotina de eletrochoques em pacientes saiu de lá para abrir seu próprio consultório, no centro do Rio.

    Por vezes, chamava seus pacientes para conversar na rua ou num bar, até que fez parceria com João Bosco e teve música gravada por Elis Regina. Daí para frente se dedicou exclusivamente à carreira de letrista

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    Em 50 anos de atividade como letrista e compositor, Aldir Blanc foi autor de mais de 600 canções. Sua principal parceria se deu com João Bosco, e se estendeu de 1970 e parte da década de 1980. A parceria Bosco e Blanc rendeu outras canções marcantes, como O Mestre-Sala dos Mares, Dois pra Lá, Dois pra Cá, De Frente pro Crime, Kid Cavaquinho, Incompatibilidade de Gênios, O Ronco da Cuíca, Transversal do Tempo, Corsário, Bijuterias, Nação (esta em parceria Paulo Emílio e gravada por Clara Nunes), De Frente Pro Crime (sucesso na voz de Simone) e Caça à Raposa.

   Ao todo, realizaram mais de 100 músicas. Essa parceria foi considerada como uma das "duplas fundamentais da MPB". Além de Bosco, Aldir Blanc teve cerca outros parceiros em sua carreira, como: GuingaMoacyr LuzCristovão BastosMaurício Tapajós e Carlos Lyra.

   Entre seus trabalhos mais notáveis como letrista estão Bala com Bala, O Mestre-Sala dos Mares, Dois pra Lá, Dois pra Cá, De Frente pro Crime, Kid Cavaquinho, Incompatibilidade de Gênios, O Ronco da Cuíca, Transversal do Tempo, Corsário, O Bêbado e a Equilibrista, Catavento e Girassol, Coração do Agreste e Resposta ao Tempo.

        Paralelamente a sua carreira como letrista, Aldir Blanc começou a escrever crônicas inspiradas na vida dos subúrbios cariocas para os jornais "Última Hora", "Tribuna da Imprensa" e a revista "Homem", até fixar-se em "O Pasquim", em 1975.

     Escreveu colunas em publicações nas revistas "O Pasquim" e "Bundas" e nos jornais "O Globo", "Jornal do Brasil" e "O Dia".  Muitas dessas crônicas foram lançadas mais tarde como livros: Rua dos Artistas e arredores, Porta de tinturaria e Vila Isabel, inventário da infância.

     Era apaixonado pelo Vasco da Gama e escreveu - em parceria com José Reinaldo Marques - o livro Vasco - a Cruz do Bacalhau.          Na década de 2010, teve alguns títulos reeditados, além do lançamento de duas antologias de crônicas inéditas: “O gabinete do doutor Blanc: sobre jazz, literatura e outros improvisos”, compilação de textos saídos na revista eletrônica “No”, e “Direto do balcão” reunião de colunas publicadas na imprensa.

    Embora tenha sido letrista de centenas de músicas, Aldir Blanc gravou como cantor apenas dois álbuns de estúdio. O primeiro deles em 1984, "Aldir Blanc e Maurício Tapajós", com Maurício Tapajós. E o segundo deles em 2005, “Vida Noturna”. Um dos últimos trabalhos de Blanc foi compor, em parceria com Carlos Lyra, a trilha do musical "Era no Tempo do Rei", baseado no romance de Ruy Castro e com adaptação de Heloisa Seixas e Julia Romeu.

      Aldir viveu por muitos anos em seu apartamento na Rua Garibaldi, na Muda, onde frequentava os botequins da região. Nunca viajou para fora do Brasil. Foi boêmio por muitos anos, mas depois de um acidente de carro que limitou os movimentos de sua perna, se tornou recluso em seu apartamento.

     Em 2010, ao se descobrir diabético e hipertenso, parou de fumar e consumir álcool.  Além do tempo dedicado ao convívio com a família e às conversas por telefone com os amigos, passava muito tempo lendo livros sobre mitologia grega, psicanálise, a Segunda Guerra Mundial e romances policiais. Era também grande apreciador de discos de jazz

    Aldir Blanc morreu de pneumonia em 2020 em decorrência da COVID-19. Em sua homenagem foi criada a chamada Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural ou Lei Aldir Blanc de apoio à cultura - como ficou denominada a Lei nº 14.017 de 29 de junho de 2020 elaborada pelo Congresso Nacional. A Lei Aldir Blanc foi criada para apoiar o setor cultural em momentos de adversidade. Em São Paulo, destinou recursos aos trabalhadores da cultura e espaços artísticos, fortalecendo a diversidade e promovendo o acesso à cultura.

    Em 2013, o jornalista Luiz Fernando Vianna lançou uma biografia autorizada sobre Blanc.

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