JORNAL DO

Jahu, novembro de 2026
Reservamos esta página para os desenhistas de humor gráfico, por considerá-los artistas completos, uma vez que em cartuns, charges, caricaturas, tirinhas, e ilustrações expressam com poucos traços, humor e diálogos sucintos - criticas fortes da vida e da política com mais clareza e contundência do que muitos textos escritos.
O CARTUNISTA E EDITOR GUILHERMO DIVITO


O humorista gráfico José Antonio Guillermo Divito, também conhecido como Divito nasceu em 1914 em Buenos Aires . Ficou famoso como ilustrador, cartunista, caricaturista e quadrinista. Em 1944, se tornou também editor por ter se aborrecido quando seu antigo editor pediu para que colocasse saias mais compridas em suas ‘chicas”, então fundou e dirigiu "Rico Tipo” . A revista chegou a vender 350.000 exemplares por semana, consagrando as “Chicas de Divito” como o arquétipo da beleza feminina.
Seus quadros de humor na série de “Enemigos Del home” serviu de inspiração para que o desenhista Péricles Maranhão (1924/1961) criasse o “Amigo da Onça”, uma das figuras mais populares do humor gráfico brasileiro - publicado na revista O Cruzeiro, de 1943 a 1962.
Embora viesse de uma família conservadora e tradicional nas décadas de 1940 a 1960, Divito foi considerado um arquétipo do bon vivant e uma lenda dos quadrinhos argentinos, tanto pelas características das criações como pela vida que levava.
Em 1931, sem completar os seus estudos no colégio Champagnat de Luján, um colégio conservador onde seu pai o matriculara -, publicou seu primeiro trabalho na revista “Páginas de Columba”, fortemente influenciado pelo caricaturista Alberto Iribarren, que ele considerava como seu mestre.


Depois da sua estreia precoce, seguiram-se colaborações nas revistas “Sintonía”, “El Hogar”, “Semana Gráfica”, “Crítica” e “Patoruzú”. Foi nesta última publicação, que Divito começou a delinear o seu estilo pessoal, que refletiu-se em séries como “Oscar diente de leche”, “Enemigo del hombre” e “De tal palo, tal astilla”.
Em 1940 surgiram dois dos seus melhores personagens: “El Dr. Merengue” e “Bómbolo”. O primeiro, publicado inicialmente na revista “El Hogar”, era um exercício psicanalítico freudiano de um recatado e reprimido doutor. “Bómbolo”, que aparecia no jornal “La Prensa”, simbolizava o contrário: o tipo ingênuo, bonachão e crédulo que os portenhos qualificavam como um tolo.
Mas foram as suas célebres “chicas” que lhe deram asas à criatividade e lhe trouxeram fama e prosperidade. Poucas criações tiveram na história do cartunismo argentino uma influência tão grande: as garotas curvilíneas, mas estilizadas, audaciosas, de cinturas finas, ancas generosas e tornozelos delicados — converteram-se em modelo de beleza para as mulheres e em fantasia para os homens de toda uma geração.
Sua revista obteve tal êxito e popularidade, que chegou a impor a moda da Buenos Aires de sua época. As mulheres queriam parecer-se com as “Chicas de Divito”, e muitos homens adotavam as vestimentas de seus personagens: trajes cruzados com jaquetas muito largas e com muitos botões.


O sucesso do seu produto permitiu a Divito incluir na sua vida de empreendedor outras atividades com que sempre sonhou: viajar, desfrutar da boa mesa, ouvir jazz e dirigir carros esporte.
Sua editora também foi uma fonte de divulgação e trabalho para muitos talentos do desenho e dos quadrinhos, como Abel Ianiro (1919-1962), Adolfo Mazzone (1914-2001), Guillermo Guerrero (1923-2009), Joaquín Salvador “Quino” Lavado, Óscar “Oski” Conti (1914-1979) e Toño Gallo (1919-1986).
Guillermo Divito morreu em 1969, dirigindo o seu carro esporte, um conversível Fiat de cor vermelha num choque contra um caminhão em uma estrada da cidade catarinense de Lages. O Brasil era um país que ele amava profundamente.
A revista que ele criou sobreviveu por apenas três anos. Sem o seu criador, fechou-se um ciclo de 28 anos de sucesso entre os cartunistas argentinos de seu tempo.










