JORNAL DO

Jahu, março de 2026
Reservamos esta página para os desenhistas de humor gráfico, por considerá-los artistas completos, uma vez que em cartuns, charges, caricaturas, tirinhas, e ilustrações expressam com poucos traços, humor e diálogos sucintos - criticas fortes da vida e da política com mais clareza e contundência do que muitos textos escritos.
MULHERES QUE SOUBERAM USAR O TRAÇO COM TALENTO E INTELIGÊNCIA PARA FAZER RIR, REFLETIR E PROTESTAR CONTRA OS MALES SOCIAIS

Neste mês dedicado às mulheres, procuramos algumas das cartunistas que já trouxemos nesta página, mas que merecem ser recolocadas aqui pela inteligência, talento e habilidade extraordinária no uso do traço para fazer rir, criticar, protestar ou compartilhar a indignação com as diferenças sociais, a opressão das mulheres,
a devastação da natureza, a indiferença com os refugiados, a censura na imprensa e os horrores da guerra - em caricaturas, charges ou quadrinhos expressivos e contundentes.

A carioca Nair de Teffé Von Hoonholtz nasceu no Rio de Janeiro em 1886. Mais conhecida como Nair de Teffé foi pintora, cantora, atriz, pianista e a primeira caricaturista mulher do Brasil. Foi também primeira-dama do país de 1913 a 1914, como a segunda esposa do Marechal Hermes da Fonseca, 8.º Presidente do Brasil.
Nair publicava seus trabalhos na revista "Fon-Fon", nos periódicos O Binóculo, A Careta, O Ken e nos jornais Gazeta de Notícias e da Gazeta de Petrópolis sob o pseudônimo Rian (Nair de trás para frente e com som semelhante a 'nada', em francês, que é "rien"). com seu traço criticava o caráter de pessoas e politicos Lançou no Brasil a moda de calças compridas para mulheres e a de montar a cavalo como homem. Promovia saraus de poesia, música popular e modinhas no Palácio do Catete, que ficaram famosos por introduzir o violão nos salões da sociedade.



Fidel Castro, Rui Barbosa e Juscelino Kubistchek
A ilustradora, chargista, artista plástica e jornalista Hildegard Wilhelmine Weber, conhecida como Wilde Weber nasceu em Waldau, Alemanha, em 1913. Foi a primeira chargista mulher da imprensa brasileira.
. Formada pela Escola de Artes Gráficas de Hamburgo, com apenas 17anos, já desenhava para os jornais “Hamburger Anzeiger" e "Hamburger Fremdenblatt”. Em 1933, veio ao Brasil para encontrar o pai, Edmund Weber,um oficial aviador que veio aqui morar após a I Guerra Mundial; e aqui Hilde iniciou sua carreira como chargista na “Tribuna da Imprensa” do Rio de Janeiro, onde desenhava uma tirinha com o personagem Seu Tribulino e também gags ligeiras e espirituosas sobre o presidente Getúlio Vargas.
Fez ilustrações com aquarelas para revistas. e desenhou capas para a revista A Cigarra, e em 1924 passou a fazer parte dos Diários Associados, que publicava a revista O Cruzeiro Nos anos 60, Hilde ganhou o prêmiode desenho da Bienal Internacional de São Paulo. e o prêmio Seção América Latina do Concurso de Caricaturas do World Newspaper Forum, pelas melhores charges internacionais, e passou a colaborar para o jornal O Estado de S. Paulo


Vargas como Narciso

Vargas e Lourival Fontes, chefe da censura do Estado Novo, 1952

Doaa el-Adl, nascida em Damietta, em 1979, é uma cartunista egípcia que vive e trabalha no Cairo. Doaa é citada como a cartunista feminina mais famosa do Egito. Trabalha atualmente para o jornal Al-Masry Al-Youm e é conhecida por seus desenhos satíricos com fortes temas políticos, sociais ou religiosos.
Doaa estudou Belas Artes, na Universidade de Alexandria, e começou a publicar seus desenhos em 2007, tendo trabalhado como cartunista para Al-Dustour, Rose al-Yūsuf e Sabah El Kheir, e ilustrou para Qatr El Nada, Alaa-El Din, Bassem. e Al-Masry Al-Youm.
Em 2009, tornou-se a primeira mulher a ganhar o prêmio "Distinção Jornalística em Caricatura". Em 2014, Doaa foi homenageada pela fundação francesa Cartooning for Peace. O prêmio foi entregue pelo antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan


Flavia Álvarez - Pedrosa Pruvost, mais conhecida como Flavita Banana nasceu em Oviedo, na Espanha, em 1987. Estudou Arte e Design na Escola Massana e hoje é ilustradora e cartunista. Colabora semanalmente com a revista SModa e mensalmente com: Orgullo y satisfacción, El Salto e Mongolia. Em 2018 começou a colaborar com El País, La maleta de portbou e Jodtown.
Suas charges geralmente abordam o amor e os relacionamentos, embora em suas publicações mais recentes ela trate de outras questões sociais. Com um tom ácido e cínico, um grande senso de humor e uma forte dose de sentimentalismo, Flavita expõe situações controversas do cotidiano.




A escritora, ilustradora e cartunista argentina Maitena Inés Burundarena nasceu em Buenos Aires, em 1962. Iniciou a sua carreira como ilustradora gráfica em jornais, revistas e editoras argentinas, tendo posteriormente também começado a escrever contos e argumentos para televisão. Autodidata, ela retrata com humor e sagacidade o cotidiano, os sentimentos e a vida das mulheres, traduzida para mais de 15 línguas e com grande sucesso no Brasil
Sua série em quadrinhos Mulheres Alteradas inspirou um filme homônimo no Brasil, lançado em 2018. A sua página humorística na revista argentina Para tí, é traduzida e publicada em vários jornais estrangeiros, como o El País e o La Stampa.


A jornalista e cartunista venezuelana Rayma Suprani nasceu em 1969 em Caracas. Em 2014, ela foi demitida do jornal El Universal por desenhar uma charge criticando o presidente Hugo Chávez e foi forçada a deixar o país. Hoje vive exilada em Miami, na Flórida.
O crítico Alfonso Molina escreveu: “o trabalho de Rayma Suprani em El Universal une inteligência, sensibilidade e talento para expressar a nossa vida como país através de vinhetas muito incisivas que não pretendem fazer-nos rir, mas sim pensar. Jornalista e cartunista, ela consegue comunicar as suas ideias de uma forma muito pessoal, mas sempre com um sentido coletivo.
Desde muito jovem, Rayma começou a trabalhar para a revista Economics Today e para vários jornais de Caracas, como El Diaro Economica Hoy e El Diario de Caracas, e tornou-se a principal cartunista do El Universal por 19 anos, onde enfrentou muitas críticas por suas charges satíricas.




A chargista Marilena Nardi nasceu em 1966 em Chiampo, na Itália. Colaborou com muitos jornais italianos como: Corriere della Sera, Diario, Borsa & Finanza, e tem intensificado o trabalho com os satíricos The Misfatto, Il Ruvido, Fire, e com títulos como Barricate! e Il Fatto Quotidiano.
Com seu traço satírico e combativo, Marilena Nardi faz críticas políticas e sociais contundentes contra as guerras, o nazismo, o machismo, a opressão das mulheres, a falta de liberdade de expressão, a indiferença com os povos refugiados como aconteceu na Ilha de Lampeduza , às guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza e a tudo que fere os Direitos Humanos.
Em 2017 , Marilena Nardi recebeu o maior prêmio do WPC - 10 mil euros – graças a sua charge Liberdade de Expressão, que retrata um homem transformado em tesoura falante, publicado no jornal basco "Illegal Times", fazendo dela a primeira mulher a conquistar o Grand Prix do festival World Press Cartoon, ao fim de 13 edições.


Elena Ospina é uma ilustradora e cartunista colombiana nascida em em 1963. Começou seu trabalho no jornal “El Espectador”. Trabalhou para várias editoras de livros e fez parte de coletivos de ilustradores e cartunistas como “El cartel del humor”. Em 1997 colaborou com a UNICEF e a Presidência da República da Colômbia em várias campanhas pelos direitos da criança.
Em 2007 instalou-se em Madrid, tendo participado em diversas exposições e campanhas sobre igualdade de direitos, igualdade de gênero, liberdade de expressão e ecologia. Em 2008 foi nomeada embaixadora de honra da cidade de Granada, Espanha e convidada a ingressar na "Cartooning for Peace" na França. Ganhou mais de 60 prêmios em concursos de humor gráfico e ilustração na Itália, França, Alemanha, China, México, Estados Unidos, Israel e Bélgica. Em 2013, em Bogotá, ganhou o prêmio de prata em Cannes na Mostra de Ilustração “Imagen Palabra”. Em 2019 recebeu o prêmio “Notario al humor”, concedido pela Universidade de Alicante na Espanha




A ilustradora portuguesa de livros infantis e cartunista em jornais, revistas e animações, Cristina Sampaio, nasceu em Lisboa, em 1960. Estudou na Escola de Belas Artes de Lisboa. Começou a trabalhar, em 1986, como ilustradora e cartunista em revistas e jornais. Em 1987, fez a primeira de mais de 20 ilustrações para livros infantis. Trabalhou para jornais portugueses como o Público, O Independente e o Expresso e também para jornais internacionais como The New York Times e The Boston Globe nos EUA, o Kleine Zeitung e o Die Presse na Áustria e o Alternatives économiques e Courrier International na França.
Foi a criadora da cenografia do espetáculo Bom Dia, Benjamim!, um musical infantil. É membro do Cartooning for Peace, e reconhecida pelos vários prêmios que recebeu pelo seu trabalho.
Cristina também produziu apresentações multimídia para o Ciência Viva e outras organizações. Trabalhou com o coletivo Spam Cartoon para produzir curtas de animação para televisão.
Em 2023, um desenho animado de Cristina foi transmitido no canal televisivo, RTP3. A animação mostrava um agente da polícia a treinar num campo de tiro, disparando com intensidade crescente à medida que a cor do seu alvo se tornava mais escura. A intenção do desenho, inspirado na morte de um jovem pela polícia na França, era criticar o racismo das forças de segurança. Ela e o canal de TV foram alvo de ameaças, mensagens de ódio e queixas-crime por parte da polícia portuguesa, apesar de terem salientado que o alvo do desenho era a polícia francesa.
Fontes: https://www.cartooningforpeace.org/en/; https://pt.wikipedia.org/

Autoretrato

O Poder Judiciário em Portugal

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