JORNAL DO

Jahu, março de 2026
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As águas da chuva, dos rios, lagos e mares sempre inspiraram os compositores e poetas. Hoje compartilhamos duas canções que fizeram sucesso no cancioneiro popular brasileiro. A canção ritmada "Águas de Março" de Tom Jobim e a linda composição de Guilherme Arantes “O Planeta água”
UMA LEITURA IMPORTANTE SOBRE O CICLO DA ÁGUA

Wendell Well
Comemorando o Dia Mundial da Água e preocupados com as atuais manifestações climáticas recomendamos a leitura do relatório do professor Antonio Donato Nobre, sobre a Amazônia (http://goo.gl/25GI17); de onde retiramos estas surpreendentes informações sobre o ciclo das águas e o importantíssimo papel da vegetação nesse processo:
: “O conforto climático que apreciamos na Terra, desconhecido em outros corpos siderais, pode ser atribuído, em grande medida à colônia de seres vivos que têm a capacidade de fazer fotossíntese. Quando as plantas consomem CO2, a concentração desse gás na atmosfera diminui. Num primeiro momento o planeta se esfria - o que faz as plantas crescerem menos, consumindo menos CO2. No momento seguinte, a acumulação de CO2 leva ao aquecimento do planeta, e assim sucessivamente, num ciclo oscilante de regulação. As florestas condicionam o clima que lhes favoreça, e com isso geram estabilidade e conforto, sob cujo abrigo florescem as sociedades humanas.
A floresta amazônica funciona como uma bomba d’água. Ela puxa para dentro do continente a umidade evaporada pelo oceano Atlântico e carregada pelos ventos alíseos. Ao seguir terra adentro, a umidade cai como chuva sobre a floresta. Pela ação da evapotranspiração das árvores sob o sol tropical, a floresta devolve a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor de água. Dessa forma, o ar é sempre recarregado com mais umidade, que continua sendo transportada rumo ao oeste para cair novamente como chuva mais adiante. Quando os rios voadores encontram a barreira natural formada pela Cordilheira dos Andes, eles fazem a curva, partindo em direção ao sul, rumo às regiões do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e aos países vizinhos.
Depois que as nuvens precipitam seu precioso líquido sobre a floresta, grande parte da água se esgueira por entre o dossel e infiltra-se pelo solo permeável, onde é armazenada no pacote poroso do solo, ou mais abaixo, em aquíferos gigantescos, verdadeiros oceanos subterrâneos de água doce. A água do solo começa seu retorno para a atmosfera absorvida por profundos e sofisticados sugadores, as raízes; depois sobe desafiando a força da gravidade por 40 a 60 m, ou mais, em elaboradas tubulações no xilema dos troncos.
Sua última etapa passa pelas estruturas laminares evaporadoras das folhas, versáteis painéis solares químicos capazes de absorver a energia do sol e aproveitar a carícia dos ventos para transpirar e transferir copiosos volumes de água vaporosa para a atmosfera, completando assim o retorno do ciclo vertical iniciado com a chuva. Uma árvore grande pode bombear do solo e transpirar mais de mil litros de água num único dia".
Estudando as trocas de gás carbônico, cientistas brasileiros e europeus concluíram que toda a água que chega à atmosfera oriunda dos continentes chegou lá através da transpiração vegetal, e somente pouco mais de 10% pela evaporação sem mediação das plantas. O Professor Donato Nobre explica “Como um vidro de perfume aberto perde seu líquido por evaporação, o gás-perfume difunde-se pelo ambiente, uma variedade de substâncias orgânicas evapora nas folhas e ganha a atmosfera. São compostos orgânicos voláteis biogênicos que numa atmosfera úmida e na presença da radiação solar, oxidam-se e precipitam-se, formando uma poeira finíssima com afinidade pela água (higroscópica), gerando os eficientes e necessários núcleos de condensação das nuvens. Poeticamente falando, esse é o pó de pirlimpimpim que surge magicamente no ar, carregado de vapor, e provoca as chuvas a cântaros das nuvens baixas, os regadores do Jardim do Éden.”
Na página, acima citada, pode-se ler este resumo: 1) Uma única árvore traz a mais avançada tecnologia e é capaz de fazer coisas que os humanos, com toda ciência, não sabem fazer separadamente, ainda mais em uma máquina só. 1)Não existe máquina que sozinha tenha sensores para ir atrás de água no subterrâneo, crescendo mais profundamente conforme a necessidade; 2) Que seja capaz de elevar essa água encontrada por canais super avançados de bombas dentro dos troncos chamados "xilemas" até a altura de 60m ; 3), Que sozinha, quando grande, disperse mais de 1000 litros de água por dia devolvendo umidade para atmosfera; 4) Com folhas que funcionam com o mais fino, flexível, avançado e poderoso painel solar, quando as mais avançadas pesquisas não chegaram nem perto;. 5) Que disperse micro-partículas de odores, limpas e naturais, que se juntam com a água dispersada por ela mesma para formar nuvens; 6) Que se autoregenere e tenha a capacidade de replicação natural, perfeita e cada vez mais forte; 7) Que em conjunto, nas florestas, formem um dossel verde capaz de impedir o acontecimento de eventos catastróficos naturais como tufões e tempestades no país inteiro; 8) Que também em conjunto, consiga baixar a zona de pressão da região da floresta (oceano verde) e atrair a umidade do oceano azul e levá-la para outras partes do continente.
Alguma máquina humana sabe fazer igual? Não, mas podemos cultivar essas máquinas divinas para ajudar a preservar a água no planeta
A COOPERAÇÃO DOS LEITORES
sobre as mulheres, a água, a poesia, o preconceito...

POESIA
Magó Galvão de França Castro
Poesia;
O que é a poesia?
Sonetos, rimas combinadas
Ou quebradas?
As lembranças
Com suas nuanças
Cantar amores perdidos,
Interrompidos ou vividos,
Expor a alma e o coração
Ao sabor de uma canção,
Rimar a saudade
Nas suas especialidades.
Mas o que realmente
Importa
É celebrar a vida
Gozada, suada, engraçada
Sofrida
Trabalhada,
Mas, apesar de tudo
Vivida.
VIVER
Rosarita Di Giacomo e Auler
Viver
Sentir o perfume da flor na primavera,
Andar a pé, sem máquinas
Como em outras eras
Viver
Sentir a casa na quietude do dia útil
Viver
Bater um papo gostoso e fútil
Viver
Bebericar um café na tarde indolente
Viver
Sentir a vida a cada instante
Viver
Tirar o relógio e deixar o ser, ser
Ser mãe, ser mulher, ser o que se é

POETA
Rafael Galvão
O poeta é um eterno ébrio
Acreditando indelével
E verdadeiramente
Em sua mentira aparente
Embriagado de si mesmo
Busca lá no fundo da alma
Um mote qualquer para rimar
Ainda que seja banal
Mesmo que não seja o amor
Algo que se faça dor
Ou até mesmo o nada
Infinito
Rimo pouco
Não porque não sei
Mas porque não necessito
Rimo quando dá rima
Quando tem clima
Como um beijo que se sente
Não aquele indiferente
Esse não me interessa
O tipo que não conheço
Beijo com pressa?
Desse logo me desfaço
Beijo bom é demorado
Daqueles que o pai da moça
Fica olhando esbugalhado
Desses que ela vira fã
Incondicionalmente
Do amor que tanto sinto
Sem perceber no poeta
A mentira que pressinto
Só a verdade aparente

AcquerelliAM
COMO AS ÁGUAS
Maria T. Arruda Galvão de França
Nesta vida inconstante
queria ser como as águas
dos rios que vão sempre adiante
e sabem seguir cantando
levando e lavando as mágoas.
Queria ser como as águas
que ao encontrar pedras grandes
sábias, bem devagarinho,
vão encontrando um caminho
suave pra contorná-las.
Ou como as gotas que caem
generosas sobre a terra
fazendo brotar no verde
o fruto, a flor, a semente
e a fartura que ela encerra.
Como queria também
ter a humildade e a presteza
dos piscosos ribeirões
que nos mais pobres rincões
por onde passam, conseguem
matar a sede e a fome
daqueles que nada têm.
Queria ser como as águas
que seguem sem medo ou mágoas:
felizes - nas corredeiras
suaves - em seu vagar;
afoitas - nas cachoeiras;
confiantes - na certeza
que vão encontrar o mar.
Seguir assim confiante
até o encontro com Deus
para o perdão, para a paz
e para o abraço dos meus.

POEMA LEVE E ANÔNIMO
DE UM MENINO ANGOLANO
Enviado por Adriana Murgel
Quando eu nasci, era preto;
já cresci, e sou preto;
Se pego sol, fico preto;
Se sinto frio, continuo preto.
Se estou assustado, fico preto;
Se estou doente, sou preto;
E, quando eu morrer,
continuarei preto!
E você, caro branco;
Quando nasce, você é rosa;
Quando cresce, você é branco;
Se pega sol, fica vermelho;
Se sente frio, fica roxo;
Quando se assusta, fica amarelo;
Quando está doente, fica verde;
Quando você morrer, ficará cinzento.
E você me chama de homem de cor?
AS ARTES DE MARIA ETELVINA GOMES DOS REIS TOLEDO BARROS
Maria Etelvina coloca amor e bom gosto em tudo
o que faz - seja na arte de bordar ou em suas aquarelas. Veja na galeria abaixo alguns de seus trabalhos:






VIAJAR
Antonio Sampaio Amaral Filho
Eduardo sempre teve o privilégio de poder viajar para o exterior. Quando adolescente fez um intercâmbio de 6 meses nos Estados Unidos. Terminou a faculdade e foi completar seus estudos na Alemanha. Claro que foi fazer direito internacional comparativo. Foi lá que conheceu sua bela esposa, com quem é casado até hoje.
Muitos grupos de amigos, mantêm a amizade com encontros frequentes. Uns gostam de se “machucar” jogando futebol, outros já são chegados no pano verde. Uma boa dose de uísque faz o pôquer ir até bem tarde. A turma do Eduardo gostava mesmo é de ir ao bar.
Como todos moravam em uma cidade grande, tinham várias opções de bar para frequentar. Ora perto da casa do Eduardo, ora perto na casa de outros amigos. A conversa sempre era difusa. Não havia um assunto específico. Falavam da família que queriam que crescesse. Gostavam de rir dos amigos de tênis, que sempre contavam que tinha alguém de molho por causa de alguma entorse.
Acontece que Eduardo vivia faltando nestes encontros. É que ele tinha se candidatado na chapa de uma grande associação profissional e a chapa tinha ganho. Imagino que vocês já descobriram para qual cargo ele foi designado. Claro, no de relações internacionais. Vira e mexe alguém ligava para o Eduardo dizendo para ele agendar o encontro e ele dizia que estaria viajando na data.
Nesta toada ele foi conhecendo vários países e voltando a vários outros. Nas férias as viagens continuavam e para lugares ainda desconhecidos. O primeiro passaporte já precisara ser trocado e o segundo já ia bem adiantado. As vezes ia somente com a esposa, as vezes ia a família toda.
Quando voltava de viagem, logo ia querendo agitar um encontro no bar para conversar com a turma. Sempre gostava de bares com cadeiras estofadas. A turma ria e sempre escolhia um com cadeira dura. Eduardo reclamava, mas depois do segundo uísque já se refastelava na cadeira dura.
Já há algum tempo as conversas do grupo eram todas pelo zap. Conversa é modo de dizer, pois o aplicativo é péssimo para conversas. Dois ficam conversando sobre o conserto do computador, quando um terceiro vem com a notícia que tinha morrido um cantor importante. Aí chega a postagem de uma música de outro cantor, que alguém dizia que tinha gostado muito.
Quando entrava a política então era o ó. Muitos repostavam coisas que tinham recebido. Vou abrir um parêntesis. A repostagem é uma das pragas do século XXI. Muitas pessoas nem leem o que recebem e já vão enviando. Quem recebe vai abrir, pois foi alguém do grupo dos conhecidos que enviou. Só que é uma postagem imunda e quem lê fica revoltado e com ódio. Claro vai responder na mesma moeda do ódio. Está feita a bagunça e o caos.
Um dia o Eduardo disse que iria sair do grupo por um tempo, mas que em dois meses estaria de volta. Como ele sempre estava viajando, todos acharam que era normal. Vida que segue. Passado o tempo comentado, Eduardo voltou e logo perguntaram como tinha sido o descanso do grupo de zap. Ele falou que tinha aproveitado e viajado muito. Todos riram e um perguntou para onde.
A resposta surpreendeu a todos. Eduardo foi logo falando. Fui fazer visitas nas casas dos meus filhos para ver os netos. Mas eles não moram aqui na cidade? Sim. E foi muito bom. Depois fui viajar pela minha discoteca. Revisitei vários LPs que não ouvia há muito tempo. Claro que dei uma passada na estante para rever os livros. Até mesmo na cozinha me aventurei a seguir pela trilha do Filet a Wellington e da batata frita.
Gostei muito de ver alguns vizinhos na feira. A senhorinha da casa da esquina tinha tido um derrame e um dos braços pendia solto. Não tive dúvidas, peguei as sacolas dela e coloquei no meu carrinho para ajudar. Fui conversar com o pedreiro que estava na casa do Sobral, para ver se ele podia dar uma passada em casa para pintar umas paredes que precisavam de retoques.
E de novo fui visitar minha filha, agora para um jantar mais formal, que acabou em risadas deliciosas quando víamos algumas fotos. Na casa do filho a atração foi o neto e a netinha. Gêmeos sempre são legais de ver. Ainda mais quando um deles você acha parecido com sua esposa. Eduardo terminou a frase, quase que com lágrimas nos olhos dizendo: Foi a melhor viagem que fiz nos últimos tempos!


