JORNAL DO

Jahu, novembro de 2026
É com imenso prazer que todos os meses reservamos esta página para divulgar os talentos artísticos da nossa cidade e da nossa Região, pois acreditamos que essas pessoas, mestres nas artes plásticas, gráficas, fotográficas, artesanais, musicais e literárias são responsáveis por tornar nossas vidas bem mais sensíveis, alegres e interessantes.
O ENGENHEIRO E ESCRITOR
LUIZ CARLOS DE CAMPOS PRADO JÚNIOR

Desde a Pré-História o homem primitivo procurou diferentes maneiras de se comunicar por meio de gestos, da oralidade ou através de desenhos e símbolos. Uma das primeiras formas gravadas para de registrar seus sentimentos, costumes e as sociedades em viviam são as pinturas rupestres encontradas em paredes de cavernas que datam de 40 mil anos a. C.
Segundo historiadores, a comunicação escrita marca o encerramento da Pré-História e foi criada em períodos distintos e por civilizações diferentes, entre elas: Mesopotâmia, China, Egito e América Central. Sabe-se que a primeira escrita teve início na antiga civilização mesopotâmica (atual Iraque), quando os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme por volta de 4.000 a.C.

Escrita cuneiforme em placa de argila
na Mesopotâmia, de 3000 a.C.

Hieróglifos se tornaram a escrita sagrada egípcia em 3150 a.C.
Durante três mil anos, a escrita cuneiforme foi usada por quinze línguas diferentes, mas enquanto ela se difundia pelo Oriente Médio outros estilos de caligrafia eram elaborados nas civilizações do Egito e da China.
A civilização egípcia criou duas formas de escrita: a demótica, uma técnica simples e a hieroglífica, bem mais complexa, formada por desenhos e símbolos usada como escrita sagrada nos túmulos e templos egípcios.
A comunicação escrita na China, surgiu há mais de três mil anos e assim como em outras civilizações, teve um sistema próprio. Foram os chineses os inventores do papel para seus registros, poemas e obras de arte. O sistema de escrita dos chineses possui um símbolo para cada coisa, conhecido como “sistema ideográfico”. Hoje, são usados de 5.000 a 8.000 caracteres.
No século XIII, na América Central, os povos Maias e os Astecas já possuíam uma forma de escrita rupestre, chamada “escrita nahuatl”. Na Roma Antiga, o alfabeto romano era composto inicialmente apenas por letras maiúsculas, escritas em pergaminhos ( peles curtidas de caprinos e ovinos)

Oráculo de casco de tartaruga da Dinastia Shang, com escrita chinesa .

Por volta de 1440, o ourives e inventor alemão Johannes Gutenberg tranformou uma prensa de queijos em uma prensa manual de letras metálicas, abrindo a possibilidade de levar pela escrita impressa um horizonte enorme de conhecimentos ao alcance de pessoas de todas as classes sociais, numa época em que os livros, manuscritos nos mosteiros, eram somente um privilégio das classes abastadas. Depois dos múltiplos progressos tecnológicos que foram realizados na comunicação escrita, hoje podemos dizer que a humanidade, que fala mais de 100 línguas, pode desfrutar de leituras incríveis que levam conhecimentos da História, das artes, das ciências, das tecnologias como também têm o poder de aprofundar, orientar e moldar emoções humanas.
Hoje trazemos aqui o Engenheiro e escritor jauense cuja comunicação oral e escrita consegue ampliar a visão e facilitar a vida e a gestão profissional de pessoas e principalmente de empresários: Luiz Carlos de Campos Prado Júnior
Luiz Carlos de Campos Prado Júnior. é Engenheiro pela USP, empresário, palestrante internacional, autor de sete livros e referência nacional em Kaizen e Autogestão. Criador do Método KIAI, mentor de empresários, bicampeão mundial de karate, Presidente da Academia Jahuense de Letras e governador eleito do Rotary International, Distrito 4480, para a gestão 2027–2028.
Pedimos ao Luiz Carlos que nos contasse um pouco de sua vida; de suas atividades; de sua arte e do prazer que sente em escrever.

Com os pais Alzira e Luiz Carlos
e os irmãos Ricardo e Marcelo

"Minha facilidade na escola sempre esteve na matemática. Desde os primeiros anos, eu me destacava nas provas e gostava de resolver problemas que exigiam lógica. Com a escrita e a gramática, a situação era bem diferente. Eu tinha dificuldade e estava longe de imaginar que, um dia, escreveria livros, manteria uma coluna em jornal e encontraria tanto prazer em compartilhar ideias por meio das palavras.
Ao olhar para essa caminhada, percebo quanto a comunicação pode ser desenvolvida. No meu caso, ela foi ganhando espaço à medida que eu precisava explicar o que sabia, ouvir as dúvidas de outras pessoas e organizar as experiências que acumulava. A vontade de ensinar me levou a enfrentar uma dificuldade que, durante muito tempo, parecia fazer parte de quem eu era.
Meu nome é Luiz Carlos de Campos Prado Júnior, mas sou conhecido como Junior Campos Prado. Nasci em Jaú, em 21 de julho de 1964. Sou filho de Luiz Carlos e Alzira, professora que teve um papel muito importante na minha formação. Sou casado com Jad Sarah e pai de Yuri e Lucas. Minha família faz parte das escolhas e dos valores que procuro levar para o trabalho e para aquilo que escrevo."
"A engenharia foi minha primeira escolha profissional. Tudo indicava que aquela era a minha vocação, e me formei em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo, em 1987. Depois, fiz especialização em Gerenciamento na Escola Politécnica da USP. Construí minha carreira na engenharia e no empreendedorismo, com atuação na construção civil e em empreendimentos imobiliários.
Com o trabalho, comecei a me encantar pela gestão. Faturamento, custos e planejamento continuavam presentes, mas os resultados também dependiam das relações humanas. Uma orientação precisava ser compreendida para ser executada. Uma equipe precisava de direção, e o empresário precisava aprender a ouvir. Fui percebendo que conduzir um negócio exigia desenvolver habilidades que iam além da afinidade com os números."


"Busquei aprofundar meus conhecimentos em gestão, empreendedorismo e neurociência. Aos poucos, fui organizando técnicas e métodos próprios a partir do que estudava e vivia como empresário. Surgiu, então, o desejo de compartilhar esse aprendizado com outras pessoas que enfrentavam dificuldades parecidas com as que eu conhecia na prática.
Em 2017, comecei a promover cursos on-line sobre empreendedorismo, com vídeos gravados e aulas por videoconferência para centenas de alunos. Preparar uma aula exigia organizar o raciocínio, escolher exemplos e pensar nas dúvidas de quem estava aprendendo. Ao ensinar, eu também identificava o que precisava compreender melhor e quais explicações ainda estavam complicadas.
Nesse contato com os alunos, uma situação passou a chamar minha atenção. Muitos queriam aprender planejamento estratégico empresarial, mas ainda não tinham um planejamento para a própria vida. Outros procuravam ferramentas para administrar o dinheiro da empresa e sequer controlavam suas finanças pessoais. A dificuldade que aparecia no negócio muitas vezes começava na maneira como o próprio empresário conduzia a rotina."
"Essa percepção mudou a direção do meu trabalho. Passei a dar mais atenção à autogestão, à definição de prioridades e à disciplina para colocar decisões em prática. Percebi que poderia contribuir mais se ajudasse as pessoas a cuidar também de quem estava à frente da empresa. Essa mudança, depois, chegaria aos meus livros e às minhas palestras.
Ao mesmo tempo, as entrevistas para rádios e para a televisão local foram ampliando minha experiência com a comunicação. Em 2017, recebi o convite para apresentar um programa de TV em Jaú, em formato de bate-papo, semelhante à proposta de programas de entrevistas como o Conversa com Bial. "

"Mantive essa atividade por três anos, com mais de 150 programas gravados.
Foi uma experiência muito rica. Eu precisava me preparar para cada conversa e, durante a entrevista, prestar atenção ao que o convidado dizia. Um roteiro ajudava, mas era necessário perceber quando uma resposta merecia uma nova pergunta. Aprendi a valorizar a escuta e a conduzir uma conversa pensando também em quem estava em casa, acompanhando o programa.
Em 2018, durante essa fase da televisão, o tradicional jornal Comércio do Jahu me convidou para escrever nas edições de quinta-feira. Fiquei orgulhoso, mas confesso que minha primeira reação foi de insegurança. Eu me perguntava se estava preparado para assumir aquele compromisso. A lembrança da dificuldade com a escrita ainda pesava na maneira como eu avaliava minha capacidade."
"Ao examinar o material que já produzia, percebi que uma parte importante do caminho estava percorrida. A preparação das aulas, os roteiros e os resumos dos programas de TV reuniam ideias que poderiam se transformar em artigos. Eu tinha experiências para compartilhar e assuntos sobre os quais refletia. Precisava aprender a dar a esse conteúdo uma forma adequada para o leitor do jornal.
A coluna trouxe uma responsabilidade nova. Toda semana havia um texto para entregar. Era preciso escolher o assunto, desenvolver a ideia e revisar. Essa frequência me ajudou a avançar. Comecei a tratar a escrita como uma habilidade que podia exercitar, assim como já fazia com outras atividades. A cada artigo, encontrava uma oportunidade de explicar melhor o que desejava dizer.
Em 2019, a visibilidade dos artigos levou uma editora a me convidar para escrever meu primeiro livro. Aquele convite abriu uma etapa que eu não havia previsto quando escolhi a engenharia. A produção continuou até chegar aos primeiros quatro livros, voltados ao empreendedorismo e à construção civil, entre eles os volumes da Trilogia da Construção."


"Durante a pandemia, a emissora local encerrou suas atividades. Eu já havia descoberto o quanto gostava daquele trabalho e decidi continuar com meu próprio podcast. Mudei de formato, mantendo o interesse em conhecer histórias e compartilhar aprendizados. A experiência na televisão me deu uma base importante para seguir conversando com diferentes pessoas e públicos.
Com o tempo, a necessidade que eu havia identificado entre os alunos ganhou mais espaço na escrita. Passei a abordar o desenvolvimento pessoal e a autogestão, reunindo a experiência empresarial com o aprendizado nas artes marciais e a filosofia Kaizen. Eu queria ajudar o leitor a pensar sobre suas escolhas e a encontrar maneiras de agir com mais consciência no dia a dia.
Foi nesse caminho que escrevi Kaizen para Grandes Conquistas. A ideia de melhorar continuamente, por meio de pequenos avanços, também descreve minha própria experiência como escritor. No começo, eu precisava vencer a insegurança. Em vez de esperar ter condições de escrever um livro inteiro, passei a escrever um pouco a cada dia e a aperfeiçoar o trabalho gradualmente."
" Hoje, reúno oito livros publicados, sendo cinco de autoria própria e três em coautoria. Ao olhar para essas obras, reconheço as etapas da minha caminhada: a experiência na engenharia, o empreendedorismo e, depois, uma atenção cada vez maior ao desenvolvimento das pessoas. O conteúdo foi mudando conforme eu aprendia e compreendia melhor as dificuldades de quem me procurava.
Escrever também me fez rever a maneira de apresentar o conhecimento. Uma ideia pode estar clara para quem a estudou durante anos e continuar difícil para quem está tendo o primeiro contato com ela. Meu esforço é encontrar uma linguagem simples, com exemplos que façam sentido para o leitor. Isso exige revisar, retirar excessos e perceber onde uma explicação ainda precisa melhorar.
Nas conversas e entrevistas, posso observar uma reação ou ouvir uma pergunta. No texto, preciso antecipar parte dessas dúvidas e cuidar da sequência do raciocínio. Essa atenção passou a fazer parte também das minhas aulas e palestras. A escrita me ajuda a preparar a fala, e o contato com o público me mostra quais assuntos merecem ser mais bem desenvolvidos no papel."

Recebendo prêmio pelo número
de livros vendidos
"As artes marciais têm uma participação importante nessa forma de aprender. Comecei no judô aos seis anos e, mais tarde, também me dediquei ao karatê. O treino me ensinou a respeitar o processo e a aceitar correções. Em 2025, aos 60 anos, conquistei um título mundial de karatê em Roma. Aquela conquista foi construída ao longo de muitos treinos e aprendizados.
Levo essa experiência para a escrita. Um movimento melhora quando é praticado e corrigido; um texto também. A vontade de começar é importante, mas precisamos de disciplina para continuar depois que o entusiasmo inicial diminui. Por isso, costumo dizer que disciplina vence talento e constância vence intensidade. São ideias que procuro aplicar à minha própria vida antes de compartilhá-las.
A experiência com os cursos, os livros e as palestras também contribuiu para o desenvolvimento da minha mentoria KIAI. Nela, trabalho a liderança e a disciplina de empresários, com Kaizen e autogestão aplicados à vida e aos negócios. Uso a inteligência artificial como ferramenta de apoio nesse processo. Os resultados dos mentorados são um estímulo para continuar aperfeiçoando o método. Esse contato também traz perguntas que alimentam meus estudos e minha produção de conteúdo."




"Minha participação na Academia Jahuense de Letras, que hoje tenho a responsabilidade de presidir, acrescenta outra dimensão a essa trajetória. Conviver com escritores e participar de ações de valorização da literatura e da educação amplia meu aprendizado. É uma experiência especialmente significativa para alguém que, na infância, se reconhecia muito mais nas provas de matemática do que nas atividades de escrita."


"Quando alguém me diz que não tem facilidade para escrever ou falar em público, lembro de como comecei. Havia conhecimento para compartilhar, mas também muita insegurança. Fui avançando ao preparar uma aula, conduzir uma entrevista e entregar o artigo da semana. Essas oportunidades exigiram esforço e, ao mesmo tempo, me ajudaram a descobrir novas possibilidades de atuação.
Continuo gostando de números e de lógica. Hoje, também encontro prazer em desenvolver uma ideia e procurar as palavras que a tornem compreensível. A comunicação passou a fazer parte do meu trabalho porque me permite compartilhar experiências e aprender com as pessoas. Ainda tenho muito a aperfeiçoar, e sigo escrevendo, conversando e ensinando. É assim que vivo o Kaizen também nessa parte da minha história."

Links: juniorcamposprado.com.br
instagram.com/junior.campos.prado




