JORNAL DO

Jahu, maio de 2026
JORNAL DO

Jahu, maio de 2026
Neste edição, veja nas páginas:

4- MÔNICA SALMASO

6 - PLANTU - JEAN PLANTUREUX

7 - CARLINHOS
MOLAN
O BEACH TENNIS NO CLUBE
Combinando vôlei de praia, tênis e badminton - sendo este último um esporte semelhante ao tênis, por ser jogado com raquetes, uma peteca ou bolinha com 50% de pressão da bola de tênis-; o Beach Tennis é um esporte dinâmico praticado em quadras de areia, que utiliza raquetes específicas e rede de 1,70m de altura.
Em disputas individuais ou em duplas, com partidas intensas de até três sets de 21 pontos; o Beach Tennis exige muita agilidade e reflexo dos jogadores pela alta velocidade das jogadas. Criado na Itália nos anos 80 popularizou-se mundialmente por ser fácil de aprender e pelo alto gasto calórico de seus praticantes.
No dia 24 de abril a sócia Jacqueline M. Bombonato, conseguindo o patrocínio de: Corpo Ideal; Farmácia Genesis; Doce Pimenta; Casa do Norte; Power Shape; Farmácia Mastê; BioShape e Sky Baby Arts; organizou um Torneio misto de Beach Tennis no clube com seus amigos. Desse animado e divertido torneio saíram vencedores:
1º lugar: Mariana e Adriano; 2º lugar: Dani e André; 3º lugar: Paulo e Alessandra (foto)

MENSAGEM
O mês de maio parece ser o mês mais bonito do ano com dias claros de céu limpo e azul intenso, temperaturas amenas, brisas frescas e importantes comemorações femininas. É o mês em que lembramos as mães e as noivas. Para os católicos é o mês de Maria, quando as menininhas vestidas de anjos a coroam como Rainha e Mãe de todos nós; e também é quando comemoramos a Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel terminando com a vergonha da escravidão.
A equipe deste jornal, a Diretoria e o Conselho do clube desejam a todas as mães um alegre e abençoado “Dia das Mães” junto de seus filhos.
E é por estas comemorações que compartilhamos aqui a Ave Maria - de Roberto Carlos e Erasmo Carlos na voz de Roberto Carlos e a canção Mamãe – de David Nasser e Herivelto Martins na homenagem de Toquinho e abaixo, alguns trechos do belíssimo poema abolicionista de Castro Alves, escrito em 1870 - que relata os sofrimentos dos africanos vítimas do tráfico de escravos nas viagens de navio da África para o Brasil.
TRECHOS DO POEMA NAVIO NEGREIRO DE CASTRO ALVES

I(...) Stamos em pleno mar. . .
Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
III(...)
Desce do espaço imenso,
ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais...
não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí...
Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras!
Que cena infame e vil... Meu Deus!
Meu Deus! Que horror!
IV(...)
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
(...) Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
(...) São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...
Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus!
mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...



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